Thursday, June 2, 2011
1980 (Footage 2 from Icarus, Contemplation & Dream)
Trecho do livro "Ícaro, Contemplação & Sonho":
1980 — O PRIMEIRO CONTATO
Foi nessa época, no primeiro semestre, que ganhei de presente um livro de filosofia oriental da minha tia Angelina, irmã de minha mãe, que eu e meus irmãos chamávamos de Dindinha. A capa exibia o símbolo do yin-yang, que são aquelas duas vírgulas encaixadas, ou um círculo dividido ao meio por uma letra s. Imediatamente, me veio a ideia de um número 6 encaixado num número 9. Achei curioso. Tive vontade de ler sobre aquele símbolo. Logo identifiquei conceitos e reflexões sobre a existência que já vinha fazendo e escrevendo havia alguns meses. Lembro-me de um comentário da minha avó materna, espírita, ao me escutar falando em voz alta sobre o “existir”, “fluxo infinito”, “consciência além do tempo”, “existência como referencial no eterno” etc. Ela, admirada, afirmou que eu estava sendo instruído por espíritos superiores em vivências no astral. Anos mais tarde, eu me daria conta de que esses conceitos transcendentes tinham sido explicados a mim em aulas noutra esfera de existência, sim, mas antes de esta vida começar. Na verdade, nessa época, eu estava começando a me lembrar da minha preparação espiritual para o que viria a viver. Mas eu nunca me esqueci dessa distinção da minha avó materna. Enquanto todos me tratavam como um idiota que falava coisas sem nexo, o elogio dela me mostrou que havia muito sentido nas minhas divagações filosóficas.
O livro taoísta foi um presente dessa minha avó e da tia Angelina justamente por terem me escutado falando de uma suposta unidade primordial que animaria todas as formas de vida, que eu havia batizado de Uno. Realmente, encontrar pensamentos parecidos com os meus em um livro foi muito estimulante. Eu lia apenas trechos. Gostava mais de ficar nas minhas próprias reflexões. Nunca tive paciência para pegar um livro e ler até o fim, só se fosse obrigado por motivo de exame acadêmico. Mesmo sentindo intimidade com aquelas reflexões sobre o sentido da existência, preferia largar a leitura para pensar sozinho. Continuei desenvolvendo os meus pensamentos e criei uma maneira bem peculiar de entender o existir. O bizarro da situação era sentir que estava chegando perto de uma conclusão! uma resposta! Era estranho, mas imaginava que poderia definir a ideia exata do que seria o existir em equações de palavras e conceitos.
Tia Angelina, ou Dindinha, sempre vinha conversar sobre as minhas descobertas filosóficas e me mostrar mais livros. Ela parecia entender as questões que eu colocava, mas o que me interessava era falar sobre meus pensamentos com alguém, por isso, não me preocupava com a compreensão dela. Eu desatava a falar sem parar, entusiasmado com as coisas que concluía. Um dia, durante uma dessas visitas que a minha tia Angelina sempre fazia ao meu quarto, aconteceu o meu primeiro contato direto com alguém de outra dimensão, cuja presença foi a mais poderosa que senti na vida. Nunca mais houve um contato dessa magnitude.
Eu seguia com as minhas divagações filosóficas até que atingi…
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